O Arroz de Tordos que não comi na Feira dos Produtos da Terra em Ourém

0 Posted by - 28/03/2017 - Arroz

O Arroz de Tordos que não comi na Feira dos Produtos da Terra em Ourém

No sábado estava a dormir a sesta e a ver o Portugal no Coração. Estavam a transmitir de Vila Nova de Ourém uma Feira de Produtos da Terra. Como não me apetecia fazer nada, nem o jantar, fui até lá.

Quando era miúdo, fazia muitas vezes aquele caminho da Carregueira até à Freixianda, onde os meus pais tinham uns amigos. Era uma aventura no Fiat 600, curva, contracurva e nunca mais lá chegava-mos.

Nos invernos gelados, a lareira na cozinha era enorme, com dois bancos corridos, um de cada lado. Eu adorava! O lume nunca se apagava, era ali que era feita a comida naquelas panelas com 3 pés ou nos tachos mais pequenos em cima das trempes. Não havia pressa! Aos sábados à tarde quando não tinham que fazer nas hortas, estavam connosco e passava-se tudo na cozinha, quando não estávamos à lareira, estávamos à mesa a comer. Depois à tarde, o meu pai e os donos da casa jogavam às cartas, falavam e bebiam uns copos de palhete feito das uvas lá da vinha, apanhadas, pisadas, curtidas em cima da mãe nos barris na adega.

O vinho era palhete porque era feito com uva branca e tinta, que como não haviam em quantidade suficiente, misturavam as duas. Era uma maneira de fazer o vinho muito característica naquela zona. Quando se abria o barril era maravilhoso, a “pomada” tinha sempre para cima dos 13 graus e escorregava de tal maneira que foi a única vez que vi o meu pai “mal”.

Estupidamente, já não me lembro o que comia mas tenho um amigo de lá que, uma vez em conversa, me falou num arroz de tordos. Eu nunca os comi mas lembro-me muito bem de os andar a apanhar mais os meus amigos, com as costelas (o nome que davam às armadilhas para apanhar os pássaros). Eu nunca tinha sorte, eles era um fartote. A chatice era depená-los diziam eles.

Voltando à viagem, chegámos a Ourém já passava das oito e meia, estava um frio do caraças. Não havia ninguém na rua, de tal maneira que até comecei a ter dúvidas se tinha visto bem ou se tinha sonhado mas não, lembrava-me bem do duo de cantoras com uma loira e a outra morena a comentar os produtos da terra que iam comprar a seguir à exibição. Por fim, lá encontrei, era no Centro de Negócios. Lá estavam os stands com os produtos da terra e não só. Já não havia muita gente mas nos espaços para comer, ainda estavam a servir! A pensar no arroz de tordos e no palhete, comi uma sopa da pedra, já do fundo da panela, que estava muito boa, e uma febra no prato com batatas de pacote. A acompanhar, como não havia palhete, e ainda bem pois tinha de vir a guiar até casa, bebi uma imperial.

Foi bom mas penso que podia ter sido melhor. Com a escola de hotelaria ali ao lado, podiam ter posto lá os putos a mostrar o que se faz na região. E porque não usar o tal vinho e os tordos na elaboração de alguns pratos?

Ainda comprei umas coisitas na feira para trazer para casa. Gostei! Para a próxima vou mais cedo!

O Arroz de Tordos que não comi na Feira dos Produtos da Terra em Ourém

A Sopa da Pedra e a Febra Frita

Arroz de Tordos de Bencatel

E agora, o tal Arroz de Tordos tirado duma receita do Clube de Caça e Pesca de Bencatel.

Bencatel não é ao pé de Ourém mas a maneira de fazer deve de ser parecida, digo eu! Das receitas que vi na net, esta parece-me a mais correta por não levar chouriço nem bacon, senão lá se vai o sabor dos tordos e passa a ser um arroz de chouriço.

Eu só lhe deitava um pouco do tal vinho palhete!

Um dia destes vou pedir a tal receita ao Francisco para publicar, mesmo! A de Vila Nova de Ourém!!!

Ingredientes:

6 Tordos limpos e lavados

2 Cebolas

4 Dentes de alho

1 dl de azeite

400 g de arroz carolino

q.b de sal

q.b de água

Confecção:

Pôr um tacho ao lume com azeite, cebola e alhos picados, e deixar alourar.

Junte a água necessária e coza o arroz.

Entretanto, numa frigideira com um pouco de azeite, frite os tordos que já estão cortados aos bocados e temperados com sal. Quando fritos, junte-os ao arroz, mexa e deixe apurar em lume brando.

Retifique o tempero e sirva bem quente, sem demora.

Receita: http://ccpbencatel.blogs.sapo.pt/12850.html

O Arroz de Tordos que não comi na Feira dos Produtos da Terra em Ourém

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